A exportação de gesso em 2010 do polo do Araripe, Sertão de Pernambuco, deverá superar os índices do ano passado. Esta é a previsão da Brazilian Gypsum, grupo que reúne as principais empresas do local. De acordo com a estimativa divulgada, o número de empresas exportadoras, em relação a 2009, dobrou, passando de três a sete apenas nos últimos oito meses, e o valor exportado - em dólares - deve superar, até o mês de dezembro, 100% do total exportado no ano passado, chegando a US$ 400 mil.
"Estamos num momento único. Passamos um bom tempo apresentando nossos produtos em outros países e, agora, estamos obtendo as respostas. Até para a Europa (que produz gesso em larga escala), estamos exportando", afirmou a gerente executiva da Brazilian Gypsum, Rafaela Sartori. Segundo ela, os países que entraram este ano para o rol dos importadores de gesso brasileiro, formado até então pela Venezuela, Argentina, Chile Uruguai, Ilhas do Caribe e Moçambique, foram Portugal, Espanha e França. Esta última, interessada mais especificamente no gesso alfa, usado em implantes dentários.
Para a gerente da Brazilian Gypsum, a explicação de tamanho interesse está na qualidade do gesso produzido. "As empresas do polo gesseiro passaram os últimos anos investindo na modernização da produção. Prova disto foi que conquistamos em julho o Selo Branco, certificação que indica que nossos produtos estão dentro dos mais elevados parâmetros europeu", explicou. Outro fator que impulsionou as exportações, segundo Rafaela, foi a baixa nos preços dos fretes internacionais. "Como o gesso é um produto pesado, utilizamos apenas navios na entrega e isto acaba saindo muito caro", completou.
Ela disse ainda que, dentre os produtos de maior demanda no mercado externo, estão o gesso alfa, a placa para teto, o gesso de revestimento e o drywall acartonado. Este último, começou a ser produzido em Pernambuco em janeiro deste ano e já está sendo exportado para Portugal. A empresa responsável pela produção é a Trevo Drywall, que pretende, em breve, alcançar o índice de R$ 6 milhões exportados anualmente. "Estamos nos equiparando com as maiores empresas do mundo. O Drywall, por exemplo, só era fabricado em três países em todo o mundo: Estados Unidos, China e Tailândia", afirmou Beto Alencar, diretor da Trevo Drywall.
Segundo ele, a produção de produtos com maior valor agregado alavancou o polo gesseiro, que já chegou em sua maturidade. "Qualquer empresa que se instalar aqui vai ter lucro", ressaltou. Porém, nem tudo são flores em Araripina. Beto lembrou que não dá mais para esperar pelas promessas da ferrovia Transnordestina e maior oferta de gás natural. "Há fábricas que querem se instalar aqui e acabam desistindo. A nossa logística ainda depende de caminhões do Sul que passam pela região para fazer entrega nas capitais do Nordeste".
Fonte: Diario de Pernambuco

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