Mesmo com a instalação de placas informando sobre a proibição das operações ao longo do dia, caminhão alugado à Prefeitura do Recife atrapalha trânsito
Dois dias depois do Diario flagrar casos de irregularidades nas orlas de Boa Viagem e Pina, como a livre circulação de motos e quadricilhos em meio à crianças, a equipe voltou, ontem à tarde, às duas praias para verificar, agora, como estão sendo feitas as operações de carga e descarga nos dois pontos turísticos. Mesmo com a instalação de 68 placas de sinalização, ao longo da Avenida Boa Viagem, informando sobre a proibição entre o horário das 8h às 17h, o Diario se deparou com, pelo menos, cinco situações que colocavam em risco a vida e direito de ir e vir dos pedestres e próprios motoristas. E o que é pior. Um delas cometida pela própria Prefeitura do Recife que, em agosto, à época da mudança na lei 16.217/96, 14 anos depois de ser criada, garantiu que essas operações seriam reordenadas. Nas duas orlas, caminhões estacionados no que deveriam ser vias públicas abertas à circulação "inchavam" ainda mais o já caótico trânsito no Recife. É quando dirigir, transforma-se em teste de paciência. Sinônimo de dor decabeça, onde a própria rua se transforma em palco para um "espetáculo" de irregularidades, muito tráfego e desculpas que não convencem.
Flagrante de irregularidade praticada por caminhão da PCR. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
O caso mais grave foi flagrado na orla de Boa Viagem, onde um caminhão alugado, segundo o condutor que teve o nome preservado, pela Prefeitura do Recife, estava estacionado na faixa mais à direita da avenida, em frente ao Recife Praia Hotel. Dele, três funcionários descarregavam areia e metralhas que serão usadas para dar firmeza ao piso do quiosque 31, em frente ao Edifício Bahia Blanca, um dos 61 que serão revitalizados pelo Projeto Orla. "Acaba tumultuando tudo, claro. É capaz de ter até um acidente aqui", reconheceu o motorista do veículo. Segundo ele, a prefeitura não orienta os condutores sobre os locais apropriados para as operações de carga e descarga. O veículo só foi retirado do local com a intervenção do agente de trânsito Rorenaldo Cândido, que atendia a um chamado de colisão, em outro ponto da avenida. Como o caminhão ficou parado por mais de duas horas, a Avenida Boa Viagem teve, neste trecho, as quatro faixas de circulação reduzidas para apenas duas. Na quarta delas, à esquerda, carros de moradores e banhistas ocupavam a área da rua.
No Pina, na Avenida Brasília Formosa, um caminhão, às 15h, descarregava 50 grades de cerveja, ou 1.200 garrafas da bebida, a menos de cinco metros de uma curva. "Aqui não há área adequada para estacionamento, por isso fazemos isso. Eu só vejo fiscalização, neste local, uma vez por ano", garantiu o dono do bar, Guilherme de Almeida. Próximo ao local, funciona o Terminal de Brasília Teimosa, que acomoda ônibus das linhas Brasília Teimosa e Brasília Teimosa/Conde da Boa Vista. Um coletivo estava estacionando em local inapropriado ontem à tarde. "Mas, às vezes, até quatro coletivos ficam parados aqui. Não tem como consertar isso não", concluiu.
Fiscalização - Para cada multa aplicada, outras 15 infrações não são registradas, segundo levantamento feito pela Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP). Hoje, apenas dez agentes da CTTU são responsáveis por cobrir todo o bairro de Boa Viagem, sempre das 7h às 19h. "O número é insuficiente, mas a população também precisa fazer o seu papel", disse o diretor de Trânsito da Companhia, Agostinho Maia. Três câmeras, instaladas no Segundo Jardim, Parque Dona Lindu e Avenida Herculano Bandeira, operam no controle do região e identificação de casos de circulação irregular de veículos.
Conheça a Legislação
É a lei municipal 16.217/96 que regula as operações de carga e descarga no Recife
Ela proíbe a parada de veículos transportadores, em dias úteis, das 8h às 17h
A Secretaria de Assuntos Jurídicos da Prefeitura do Recife estuda modificações na lei
Quem estaciona em local proibido pagará multa entre R$ 53,20 e R$ 127,69
Para cada pessoa multada, outras 15 irregularidades não são punidas pela lei
Fonte: Diario de Pernambuco

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