Em meio ao crescimento econômico, cidade sofre com falta de moradias; estimativa é que o valor dos imóveis tenha subido 20% na região em 2010Em meio ao recente crescimento econômico da cidade, que gerou 16,4 mil vagas de emprego formais em 2010 (1,37 mil só em dezembro, o que conferiu à cidade o terceiro lugar no ranking de criação de vagas no mês), e atraiu novos moradores para a região, dona Maria agiu rápido para aproveitar uma oportunidade de negócio e renda fixa mensal: a construção de "puxadinhos" para alugar.
A ideia surgiu quando ela soube do caso da sua vizinha de porta que, para reforçar o orçamento, alugara um quarto para funcionários do Complexo Portuário Industrial de Suape.
Com a escassez de moradia para abrigar a grande quantidade de trabalhadores que chegam à região, o fluxo de pessoas que sobem o morro questionando os proprietários sobre eventuais vagas para locação passou a ser comum.
Da conversa com o marido e o filho de 24 anos, técnico em enfermagem, saiu a sugestão: que tal erguer, de improviso, um cômodo extra sobre a laje da casa de dois quartos que eles haviam construído quatro anos antes?
"Demoramos um mês para levantar a parede e já nos mudamos para lá", conta dona Maria, rindo. Durante o período das obras, ela aproveitava o horário de expediente dos cinco novos inquilinos funcionários do complexo para passar a tarde na casa "antiga", onde deixou toda a sua mobília.
Nos primeiros dias, passava a noite na casa do outro filho, casado. "Meu irmão e meu marido começavam a obra cedinho, 5h30, e só largavam à noite".
Assim que o teto foi colocado, ela se mudou definitivamente para a nova área.
"Não tinha janela, piso, nem acabamento. Só chão e parede batida", diz dona Teca, que há três meses passou a receber R$ 500 mensais pelo aluguel.
"Estou usando o dinheiro para arrumar a casa de baixo, colocar cerâmica no banheiro, descarga nova. O dinheiro do aluguel está valendo a pena", conta ela, que pensa em um leve reajuste quando concluir as melhorias no imóvel.
Até pouco tempo atrás, ela diz que o interesse por imóveis na região era praticamente nulo. O movimento é cada vez mais comum entre a vizinhança, segundo os moradores. "Tem casas por aí que tem 15 homens de Suape dividindo o aluguel", diz. Pelas ruas do bairro, edifícios bem acabados e de três andares que destoam das casas simples já surgem com mais frequência, especialmente para o aluguel.
A vizinha Eliane Quirino de Lima, 57 anos, também tem planos de construir mais uma casa para aproveitar o bom momento de imóveis valorizados. "É uma vontade que eu tenho para o futuro".
A estimativa da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) é de que o valor dos imóveis tenha subido em média 20% na região de Ipojuca em 2010.
Alexandre Mirinda, presidente da Ademi, prevê que a falta de casas para locação deva se agravar nos próximos meses.
"Vai haver falta de casa para alugar em Ipojuca. Hoje você já sente a carência, mas nos próximos meses vai ser muito pior", diz Mirinda, que acredita que a escassez será sentida tanto em imóveis para a classe C quanto para a classe A.
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